O NOVO PERFIL DO REPRESENTANTE PÚBLICO – A VEZ DOS OUTSIDERS DA POLÍTICA

May 26, 2017

 

           Em tempos de escândalos de corrupção de proporções nunca antes imaginados, agregados à ascensão da Internet e suas redes sociais (que permitem que a informação seja muito mais acessível e interativa) identificamos uma mudança significativa no comportamento do eleitor em relação à escolha de seus representantes políticos. Esse movimento se fez presente nas eleições municipais de 2016 na cidade de São Paulo, onde o empresário (sem trajetória política) João Dória surpreendeu e venceu o pleito, ainda no primeiro turno, com 53,3% de votos válidos. Em âmbito internacional, fenômeno semelhante ocorreu nas eleições presidenciais americanas que elegeram Donald Trump, também empresário, para o comando da maior economia mundial. Mas afinal o que estes dois candidatos, que a primeira vista não possuem semelhanças, têm em comum?

 

         Esses dois candidatos representam uma tendência que vem ganhado força na política, não só no Brasil, mas também no mundo: ambos são considerados Outsiders. O termo é utilizado para descrever um candidato que nunca foi político, nunca concorreu a nenhum cargo eletivo e nem exerceu nenhuma função na área.

 

      Aqui no Brasil esse fenômeno aumenta com o avanço das investigações da operação Lava-jato. Em recente enquete realizada pelo Bureau de Projetos e Pesquisas (por meio de formulário estruturado aplicado on-line), verificamos que a rejeição à política tradicional impacta no perfil de um possível representante público. As características com maior rejeição quando os participantes da enquete pensavam em um representante foram “Trajetória em movimentos Sociais/Sindicais/Estudantis” e “Filiado/Identificado com algum partido tradicional”. Fica claro que a preferência dos internautas é por candidatos “antissistema”.  Esse conceito diz respeito à rejeição do sistema político atual, a rejeição de tudo o que se apresenta nesse cenário. Esse perfil denota que os entrevistados procuram características diferentes das apresentadas pelos representantes que hoje compõem nossa política, buscando, dessa forma, candidatos que possuam sua trajetória fora do padrão habitual. No gráfico 1, a seguir, pode-se observar claramente essa tendência.

 

Gráfico 1 – Características que são rejeitadas em um representante público:

 

Fonte: Pesquisa realizada pelo Bureau de Projetos e Pesquisa de 02/05/2017 à 16/05/2017.

Resposta múltipla.

 

           Mas a rejeição à política tradicional não é a única característica que o internauta consultado revela. Quando questionados quais as características que fariam escolher um representante público, os entrevistados destacaram que, além de ter um “Foco na economia” e também “Foco no social, esse representante tem que apresentar “Capacidade de diálogo” e “Perfil de gestor”, conforme demonstrado no gráfico 2.

 

Gráfico 2 – Características que fariam você votar em um representante público:

 

Fonte: Pesquisa realizada pelo Bureau de Projetos e Pesquisa de 02/05/2017 à 16/05/2017.

Resposta múltipla.

 

           Esse perfil de gestor também fica explícito quando estimulamos os internautas a pensar qual seria a primeira ação que eles fariam caso fossem prefeitos eleitos de suas cidades. Nesse questionamento é possível verificar que a preocupação com “Gestão Pública” e os “Gastos Públicos” lideram as citações, antes mesmo de áreas essenciais como “Educação”, “Segurança” e “Saúde”.

 

Gráfico 3 – Principais focos de atuação, escolhidas pelos entrevistados:

 

Fonte: Pesquisa realizada pelo Bureau de Projetos e Pesquisa de 02/05/2017 à 16/05/2017.

Resposta múltipla.

 

        A falta de efetividade percebida na Gestão Pública faz com que os cidadãos tenham preferência por candidatos que mostrem competência na Gestão e no controle dos Gastos Públicos. Isso sem perder o Foco no social e a Capacidade do diálogo, demonstrando que o representante necessita, além de qualificação para gerir a cidade, habilidade para saber se comunicar de forma transparente com as diferentes camadas sociais.

 

         Sendo assim, os dados confirmam a tendência da busca por candidatos com perfil Outsider, rompendo com a trajetória tradicional de nossos políticos. Além disso, é necessário apresentar uma capacidade de gestão mais responsável, tanto em termos econômicos quanto sociais.

 

       Em suma, os eleitores sabem o que querem, já traçaram o perfil de seu representante público. A questão é: existem lideranças com as aptidões que atendam aos anseios da população?

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